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    Herbert Vianna e células-tronco híbridas

    No último dia 20 de abril, enquanto cientistas a favor e contra as pesquisas com células-tronco embrionárias (CTE) expunham seus argumentos aos ministros do Supremo Tribunal Federal, vimos, no início da tarde, todos os holofotes e filmadoras dos jornalistas se dirigirem repentinamente ao fundo da sala. Acabava de chegar ao recinto o cantor Herbert Vianna, autor de vários sucessos musicais, muito conhecido e querido por todos.

    Vocês devem se lembrar do fatídico dia 20 de fevereiro de 2001, quando Herbert sofreu um acidente ao voar de ultraleve com sua esposa. Ela veio a falecer e ele ficou confinado a uma cadeira de rodas.

    Com muito interesse e sensibilidade acerca da importância das pesquisas com células-tronco embrionárias (apesar de não gostar de dar entrevistas), o cantor aceitou responder algumas perguntas para a coluna, que transcrevo abaixo:

    O que você achou do evento no Supremo Tribunal Federal?
    Herbert Vianna: Acho que existe uma necessidade de conhecimento maior da amplitude que a discussão sobre o avanço da ciência pode representar -- não só para mim, mas também para o cidadão comum.

    Como está seu tratamento?
    Herbert Vianna: Eu diria que é um tratamento “pré-célula-tronco”. Faço sessões de fisioterapia e percebo algumas evoluções, ainda que milimétricas.

    Como você vê a questão religiosa, que se mostra contrária a essas pesquisas?
    Herbert Vianna: Eu vejo que é muito imediatista a posição da igreja de veto ao avanço da ciência. Ao invés de discursos rasteiros, acho que o que precisamos é de mais conhecimento científico que comprove que estas pesquisas vão abrir janelas inimagináveis.

    Como podemos atuar em relação à desinformação das pessoas? Aliás, você sente que isso está acontecendo? E propõe alguma "saída"?
    Herbert Vianna: Como o nível de analfabetismo no Brasil é monstruoso, acho que podemos avançar tendo mais educação, informação e debates.



    Seguindo o conselho de Herbert Vianna, vamos debater. Teve bastante destaque na mídia nesta semana uma discussão sobre as chamadas “células-tronco híbridas”. A Grã Bretanha pediu autorização para transferir núcleos de células humanas para óvulos de outros mamíferos -- como coelhos e vacas -- para pesquisas com células-tronco.

    A célula híbrida teria quase exclusivamente DNA humano. A quantidade de DNA animal, disponível no citoplasma, seria muito pequena. Contudo, mal saiu a notícia e já se fala em embriões híbridos de “Frankensteins” -- metade gente, metade animal!

    Caro leitor, eu me pergunto: “será que as pessoas entenderam realmente do que se trata? Ou acreditam (absurdamente) que os cientistas fabricarão pessoas com cara de gente e perninhas de coelho?”

    Na verdade, a idéia correta sobre essa “novidade” é que ela pode permitir que, no futuro, seja possível retirar uma célula de sua pele ou de outro tecido, transferir o núcleo para um óvulo e, a partir de um processo laboratorial, produzir qualquer tecido do corpo -- músculo, osso e sangue, por exemplo.

    Se essa iniciativa for bem sucedida, será possível no futuro ter bancos de vários tecidos. Se houvesse qualquer necessidade de transplante de órgão seria possível uma simples substituição -- tal e qual se faz hoje com peças de automóveis.

    É válido ressaltar aqui, entretanto, que obviamente, para se chegar a esse resultado serão necessárias ainda muitas pesquisas. E elas, não envolvem embriões humanos.

    Na próxima coluna, explicaremos melhor todo esse processo.

    Até lá, para que continuemos essa discussão de uma forma mais rica, questione-se: você é a favor ou contra pesquisas que possam ter esses resultados? Por quê?

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